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| Foto | Nelselino/mod/IA |
O futebol de Parintins amanheceu em silêncio. Partiu Nilo Mendonça da Gama, um dos maiores nomes da história do esporte parintinense, homem que dedicou sua vida aos gramados e ajudou a construir a memória do futebol da Ilha Tupinambarana.
Nascido em 10 de novembro de 1938, na Rua Furtado Belém, em Parintins, Nilo Gama cresceu em meio à simplicidade e desde cedo encontrou no futebol sua grande paixão. Estudou até o 3º ano primário na antiga escola que funcionava no Sindicato dos Trabalhadores, próximo ao Colégio Nossa Senhora do Carmo, e ainda jovem iniciou uma trajetória que o transformaria em referência para gerações de atletas.
Defendeu com orgulho as cores do Sul América, Amazonas, Nacional e Estrela do Norte, além da gloriosa Seleção Parintinense. Sua caminhada começou em 1954, no Sul América. Depois passou pelo Amazonas, retornou ao “Leão Azul”, viveu grandes clássicos da cidade e encerrou sua carreira em 1975, no inesquecível confronto entre Amazonas e Sul América.
Dentro de campo, Nilo colecionou conquistas e respeito. Foram 12 títulos pelo Sul América como jogador e mais um como treinador em 1990. Pelo Amazonas conquistou cinco títulos — quatro como atleta e um como técnico. Vestindo a camisa da Seleção Parintinense, foi convocado onze vezes e conquistou dois importantes títulos, levando o nome de Parintins para além da ilha.
Mas uma das histórias que mais emocionavam o ex-craque era o privilégio de ter atuado ao lado de Mané Garrincha. Nilo costumava recordar com alegria o dia em que dividiu o campo com aquele que considerava “o melhor ponta-direita do Brasil e do mundo”. Ele, lateral-direito; Garrincha, ponta-direita. Uma lembrança eterna para quem viveu intensamente o futebol raiz.
Nilo também carregava na memória os grandes clássicos entre Amazonas e Sul América, tempos em que o estádio lotava e o torcedor transformava o futebol em espetáculo. Ele lembrava com carinho dos personagens folclóricos das arquibancadas, como o famoso “Teco-Teco do Dray”, símbolo da paixão amazonense pelo esporte.
Ao falar do futebol atual, Nilo defendia a disciplina, o preparo físico e o compromisso dos jovens atletas. Dizia que, no passado, mesmo sem televisão, os jogadores aprendiam ouvindo rádio e imaginando as jogadas narradas. Para ele, o futuro do futebol dependia da dedicação da nova geração.
Hoje, Parintins perde não apenas um ex-jogador, mas um símbolo de uma era inesquecível do esporte local. Nilo Gama deixa um legado de amor ao futebol, humildade, dedicação e inspiração para todos aqueles que sonham em vestir uma camisa e honrar a história do futebol parintinense.
Que sua memória permaneça viva nos campos, nas arquibancadas e no coração do povo de Parintins.
Por | Nelselino Santarém

